O Valor do Capital Espiritual nas Organizações: Um Olhar Além do Lucro

 



Numa reportagem publicada pela revista Exame em 2011, cujo título é Deus e negócios, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda a existência de um tipo de inteligência espiritual que aumenta a criatividade e a busca por significado na vida. Ela baseia seu trabalho no Quociente Espiritual (QS) e em pesquisas recentes que identificaram o "Ponto de Deus" no cérebro. Zohar destaca que a sociedade atual possui baixa inteligência espiritual, mas podemos tomar medidas para elevar nosso quociente espiritual.

Capital espiritual refere-se ao conjunto de valores, propósito, ética, bem-estar emocional e senso de conexão com algo maior do que o aspecto puramente material. Ele contesta a ideia de que os seres humanos são apenas maximizadores de lucro e destaca a importância de satisfazer as necessidades espirituais dos colaboradores.

Nos últimos anos, tem se evidenciado a importância do capital espiritual nas organizações. Enquanto no passado predominava a visão de que os seres humanos eram essencialmente seres econômicos, atualmente reconhecemos que somos criaturas em busca de significado e propósito. A compreensão desse aspecto é fundamental para as empresas, pois os colaboradores desempenham um papel central em seu sucesso. 

A despeito de as necessidades dos seres humanos serem as mesmas desde o tempo de Moisés, somente nos últimos anos as organizações estão se despertando para a importância do capital espiritual, uma vez que “O capital espiritual contesta a premissa do capitalismo de que somos essencialmente seres econômicos e, ao contrário, sustenta que os seres humanos são essencialmente criaturas com significado e propósito” (Goleman, et al., 2008, p. 53).

(MALOCH, 2011, p.51) afirma que “Os seres humanos não são apenas maximizadores do lucro. Eles têm escrúpulos morais, compromissos pessoais e o desejo de felicidade”. Nesta mesma linha, enfatiza que “mais e mais empresas estão reconhecendo que o seu sucesso depende da prestação de algum tipo de satisfação espiritual, e não apenas da satisfação material, da sua força de trabalho”.

Assim, os líderes empresariais precisam entender que, juntamente com os clientes, os colaboradores que fazem parte da companhia merecem uma atenção especial, sobretudo porque há décadas deixou-se de contratar apenas mãos e pés para demandarem o profissional na sua plenitude. Vestir a camisa da empresa e estar presente de corpo e alma são condições sine qua non dos empregados que constituem um ativo real e lucrativo da empresa.

Os benefícios do Capital Espiritual nas Organizações são evidentes, como por exemplo:
  1. Engajamento e motivação: Ao atender às necessidades espirituais dos colaboradores, as organizações promovem um maior engajamento e motivação no ambiente de trabalho. Quando os colaboradores encontram significado e propósito em suas tarefas, eles tendem a se dedicar mais e buscar a excelência.
  2. Bem-estar e resiliência: O capital espiritual também está relacionado ao bem-estar emocional e à resiliência dos colaboradores. Quando as organizações promovem um ambiente que valoriza as necessidades espirituais, os colaboradores se sentem mais apoiados e são capazes de lidar melhor com desafios e adversidades.
  3. Criatividade e inovação: A satisfação espiritual dos colaboradores pode estimular a criatividade e a inovação dentro das organizações. Quando os indivíduos se sentem conectados a algo maior, são encorajados a pensar além dos limites convencionais e buscar soluções originais.

Para saber mais:

"QS: Inteligência espiritual" - Dana Zohar e Ian Marshall

Segundo os autores, o QS está ligado à necessidade humana de ter propósito e objetivo na vida. Ele é o responsável pelo significado de nossa existência, pelo desenvolvimento dos valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações no dia a dia. Conhecer o potencial do nosso QS e desenvolvê-lo nos permitirá alcançar metas com mais eficiência. 

"A nova era na gestão de pessoas" - Daniel Goleman

No livro "A nova era na gestão de pessoas", Daniel Goleman, renomado psicólogo e escritor, explora a importância das habilidades emocionais no contexto empresarial. Goleman apresenta conceitos como inteligência emocional e liderança com foco nas relações interpessoais, destacando a necessidade de cultivar a empatia, a resiliência e a inteligência social nas organizações. Sua abordagem oferece insights valiosos sobre a construção de um ambiente de trabalho saudável e colaborativo, fomentando o desenvolvimento do capital espiritual.

"Ganhar Dinheiro não é Pecado" - Thomas R. Malloch

Thomas R. Malloch, em sua obra "Ganhar Dinheiro não é Pecado", aborda a relação entre espiritualidade e sucesso financeiro. O autor desafia a ideia de que a busca por lucro e prosperidade material é incompatível com os valores espirituais. Ele explora como indivíduos e organizações podem adotar uma abordagem ética e consciente em suas atividades comerciais, integrando valores espirituais em sua missão e práticas diárias. Malloch traz reflexões relevantes sobre a importância de encontrar um propósito maior no mundo dos negócios, contribuindo para a construção do capital espiritual nas organizações.

"Liderança e Espiritualidade. Humanizando as Relações Profissionais" - Adilson Souza

Neste seu primeiro livro, o professor e coach Adilson Souza traz uma nova visão sobre liderança, abordando valores e exemplos de virtiudes praticados por líderes ao redor mundo dos negócios e no ambiente corporativo. Com experiência de mais de 30 anos em administração e desenvolvimento do fator humano nas organizações, Adilson questiona a s mudanças e a importância da espiritualidade no mundo corporativo e afirmar: “Há muito tempo o Quociente Intelectual deu lugar ao Quociente Emocional e, a partir de então, mudanças têm sido feitas nas empresas numa velocidade galopante. É preciso mais inteligência emocional para se atingir bons resultados”.

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