Que tal somar em vez de competir? Um convite à vida ótima

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Em meados de 2014, deparei-me com um artigo intrigante intitulado "Nosso maior concorrente é o dinheiro". Essa frase impactante foi proferida João Pedro Paro, presidente da Mastercard para o Brasil e para o Cone Sul à época, um dos líderes globais no setor de pagamentos eletrônicos. Nas palavras do executivo, o dinheiro físico apresenta uma série de inconvenientes, desde a facilidade de ser roubado até o seu espaço ocupado nos bolsos, sem mencionar a possibilidade de transmitir doenças. No entanto, mesmo diante dessas desvantagens, o dinheiro continuava sendo o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros.

Ampliando a aceitação dos meios eletrônicos de pagamento:

De acordo com João Pedro, um dos maiores desafios enfrentados pela empresa era a ampliação da aceitação dos meios eletrônicos de pagamento. Até então, apenas cerca de dois milhões dos 15,5 milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil aceitavam pagamentos eletrônicos. Além disso, somente 20% dos pagamentos são realizados por meios eletrônicos, o que representava apenas 30% do consumo das famílias.

Os estágios tribais da cultura corporativa:

Essa história me fez lembrar de um livro fascinante intitulado "O Executivo e sua Tribo: lidere sua Tribo Corporativa e maximize a produtividade e o lucro da empresa" (Dave Logan, John King & Halee Fischer-Wright, Editora Planeta do Brasil, 2009). Os autores descrevem cinco estágios tribais presentes nas culturas das organizações. Vamos explorar brevemente cada um deles:

1. A vida é uma droga: Esse estágio representa cerca de 2% dos profissionais americanos e é caracterizado por um modo de pensar que gera gangues de rua e pessoas envolvidas com atividades ilícitas. São indivíduos hostis que se unem para prosperar em um mundo violento e injusto.

2. Minha vida é uma droga: Cerca de 25% das tribos nos locais de trabalho estão nesse estágio cultural. As pessoas nessa categoria são antagonistas passivos, criticam de forma resignada e sarcástica, mas nunca estão realmente engajadas ou interessadas.

3. Sou ótimo e você não: Esse estágio é dominante em 49% das tribos nos locais de trabalho nos EUA. Profissionais como médicos, professores, advogados e equipes de vendas geralmente operam nesse nível. O conhecimento é visto como poder, e as pessoas acumulam informações desde os contatos com os clientes até os rumores sobre a empresa. Nesse estágio, a vitória é algo pessoal e as pessoas são conhecidas como "guerreiros solitários", sempre em busca de apoio e se frustrando com a falta de ambição e habilidade dos outros.

4. Nós somos ótimos: Esse estágio representa 22% das culturas tribais nos locais de trabalho. Nesse ponto, os grupos se veem como uma tribo com um propósito comum. Eles compartilham valores fundamentais e se responsabilizam mutuamente. Não toleram comportamentos semelhantes aos apresentados na série de TV "The Office" ou agendas pessoais do Estágio 3.

5. A vida é ótima: Esse estágio é o mais raro, representando menos de 2% das culturas no local de trabalho. A gigante de biotecnologia Amgen foi responsável por revelar a existência desse estágio, adiando a publicação do livro mencionado anteriormente. Quando os autores visitaram a Amgen nos anos 90, esperavam ouvir que seus principais concorrentes eram empresas semelhantes no setor. No entanto, foram surpreendidos ao ouvir que estavam competindo contra o câncer, doenças inflamatórias e até mesmo a morte prematura. Nesse estágio, a competição tradicional perde importância e a visão é voltada para o bem maior.

Reflexões finais:

Diante desses estágios tribais, surge a pergunta: o Estágio 5 é um sonho distante? Será que existem empresas ou indivíduos atuando nesse nível? Convido você a compartilhar suas experiências e opiniões sobre o assunto. Será que é possível alcançar uma cultura corporativa em que a vida é realmente ótima e os objetivos vão além da mera competição tradicional?

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